quarta-feira, 24 de junho de 2015

Uma Lei Unica


Suprema lei

Há uma lei suprema que tudo abrange, que tudo rege, que tudo domina.
Ela impera no mundo do infinitamente pequeno, como no mundo do infinitamente grande; no mundo da matéria, como no mundo do Espírito. Ela governa o equilíbrio do Universo, sob infinitas maneiras.
No plano do infinitamente pequeno, grupa os átomos e moléculas, formando os corpos: denomina-se coesão ou afinidade. No plano do infinitamente grande, mantém os astros em suas respectivas órbitas, assegurando a estabilidade e a harmonia celeste: chama-se atração. No mundo do Espírito, invalida as distâncias, apaga as causas de separação, vence o egoísmo, irmana as almas: intitula-se amor.
Os vínculos originados dessa lei — cuja força e poder são infinitos — ninguém os vê; não obstante, eles sustém os astros, essas moles desmesuradas, na imensidade do espaço, sem qualquer ponto de apoio. Mantêm os átomos num redemoinhar vertiginoso, que assombra e confunde a inteligência humana. Urdem certa trama que, uma vez enlaçando os corações, não há mais distância que os separe, não há mais morte que os desenlace.
Daí porque o Redentor do mundo disse que essa lei é a síntese de todas as leis, é a súmula de todas as profecias.
* * *
Amar os maus não é só um gesto de misericórdia: é também um ato de justiça. Eles devem ser amados precisamente por serem o que são: maus.
Há tanto gozo em ser bom; defluem tanto prazer e tanta felicidade da prática do bem, que é umgrave pecado deixar alguém de condoer-se dos que se encontram privados de tão grande fonte de bênçãos.
O coração amorável, simples e humilde tem em si mesmo um manancial inesgotável de ventura.
Até mesmo quando sofre, goza no sofrimento. O mau tem em si próprio a condenação. E' um padecente, é um infeliz. Faz, por isso, jus ao amor.
Serão, acaso, os bons que inspirarão piedade? Certamente que não. Amiserar-se dos bons, se possível, seria insânia. Ora, que é a piedade, ou a comiseração, senão amor? Logo, amar o mau é obra de justiça, porque importa num ato ditado pela consciência.
Todo e qualquer impulso nobre, que vem do coração, é, invariavelmente, amor. Quem ama é feliz, ainda mesmo não sendo amado.
O amor encerra em si mesmo a melhor das recompensas.
Só os maus não sabem amar. Só os maus são desgraçados, dignos, portanto, de serem amados.
Os bons conquistam amor. Em realidade, não lhes damos nosso amor: eles no-lo arrebatam e nós nos comprazemos em que o nosso amor vá para eles. Para os maus, é preciso dar amor, porque eles não sabem conquistá-lo; mas, nem por isso, deixam de merecê-lo, ou, melhor, por isso mesmo devem merecê-lo.

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