Suprema
lei
Há
uma lei suprema que tudo abrange, que tudo rege, que tudo domina.
Ela
impera no mundo do infinitamente pequeno, como no mundo do
infinitamente grande; no mundo da matéria, como no mundo do
Espírito. Ela governa o equilíbrio do Universo, sob infinitas
maneiras.
No
plano do infinitamente pequeno, grupa os átomos e moléculas,
formando os corpos: denomina-se coesão ou afinidade. No plano do
infinitamente grande, mantém os astros em suas respectivas órbitas,
assegurando a estabilidade e a harmonia celeste: chama-se atração.
No mundo do Espírito, invalida as distâncias, apaga as causas de
separação, vence o egoísmo, irmana as almas: intitula-se amor.
Os
vínculos originados dessa lei — cuja força e poder são infinitos
— ninguém os vê; não obstante, eles sustém os astros, essas
moles desmesuradas, na imensidade do espaço, sem qualquer ponto de
apoio. Mantêm os átomos num redemoinhar vertiginoso, que assombra e
confunde a inteligência humana. Urdem certa trama que, uma vez
enlaçando os corações, não há mais distância que os separe, não
há mais morte que os desenlace.
Daí
porque o Redentor do mundo disse que essa lei é a síntese de todas
as leis, é a súmula de todas as profecias.
*
* *
Amar
os maus não é só um gesto de misericórdia: é também um ato de
justiça. Eles devem ser amados precisamente por serem o que são:
maus.
Há
tanto gozo em ser bom; defluem tanto prazer e tanta felicidade da
prática do bem, que é umgrave pecado deixar alguém de condoer-se
dos que se encontram privados de tão grande fonte de bênçãos.
O
coração amorável, simples e humilde tem em si mesmo um manancial
inesgotável de ventura.
Até
mesmo quando sofre, goza no sofrimento. O mau tem em si próprio a
condenação. E' um padecente, é um infeliz. Faz, por isso, jus ao
amor.
Serão,
acaso, os bons que inspirarão piedade? Certamente que não.
Amiserar-se dos bons, se possível, seria insânia. Ora, que é a
piedade, ou a comiseração, senão amor? Logo, amar o mau é obra de
justiça, porque importa num ato ditado pela consciência.
Todo
e qualquer impulso nobre, que vem do coração, é, invariavelmente,
amor. Quem ama é feliz, ainda mesmo não sendo amado.
O
amor encerra em si mesmo a melhor das recompensas.
Só
os maus não sabem amar. Só os maus são desgraçados, dignos,
portanto, de serem amados.
Os
bons conquistam amor. Em realidade, não lhes damos nosso amor: eles
no-lo arrebatam e nós nos comprazemos em que o nosso amor vá para
eles. Para os maus, é preciso dar amor, porque eles não sabem
conquistá-lo; mas, nem por isso, deixam de merecê-lo, ou, melhor,
por isso mesmo devem merecê-lo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.